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ESCOLHA PROFISSIONAL, DILEMA CONTEMPORÂNEO

Escolha profissional: dilema contemporâneo

A escolha profissional é um processo para o qual, se procurarmos, encontraremos raízes as mais diversas. Influências como a família, a escola, as relações sociais, os amigos e, ainda, aquelas recebidas dos meios de comunicação, além das reflexões e sínteses pessoais compõem esse processo.

Em função da grande expectativa e de toda tensão emocional que envolve o processo da escolha profissional, principalmente quando a via de ingresso se dá pelo vestibular, é que se torna importante o apoio que consiste na disponibilização de meios que busquem a clareza racional e o equilíbrio emocional. A escola se propõe a oferecer conhecimentos técnicos e formação moral; a família pode oferecer apoio, mesmo assim, o sujeito vê-se só, sem caminho, frente ao desafio da escolha indelegável, do desafio à ação. Mesmo que, em última instância, a escolha final seja apenas sua, ele pode encontrar, na Orientação Profissional, ajuda no sentido de desenvolver meios para que suas escolhas sejam gratificantes e compatíveis com a realidade.

Além disso, sabemos que o período conhecido por adolescência encerra importantes questões com as quais a pessoa é desafiada e que dizem respeito à passagem de um mundo infantil para o mundo das responsabilidades e da identidade adulta. Ninguém “pára de crescer” com o fim da adolescência, mesmo sendo um período difícil de precisar quanto a seus limites exatos. Todos aprendemos e nos modificamos até o fim da vida. Essa passagem para o mundo adulto, no entanto é de especial importância para o indivíduo e para a sociedade, povos antigos e as sociedades “primitivas” possuíam o que chamamos de “rituais de passagem”, cerimônias nas quais os jovens eram iniciados no mundo adulto. Temos em nossa sociedade correlatos desses rituais: o vestibular, a formatura, o casamento, o sucesso profissional etc. Mas mesmo com a existência desses “correlatos”, em nossa cultura, nem sempre, para nós, é clara a passagem para o mundo adulto. Nossa sociedade contemporânea, ocidental, exige mais do indíviduo no que se refere a colocar-se enquanto sujeito adulto. Neste outro sentido  é que se torna relevante o processo de Orientação Profissional.

dedosOutra questão que justifica a existência e a importância de um espaço para escolha profissional é que essa atividade é algo que nos acompanha por toda a vida, mais presente, talvez, que o parceiro escolhido. Uma pessoa satisfeita com seu trabalho, em uma ocupação associada a sua personalidade e a seus anseios, é alguém que tende à realização e a uma capacidade produtiva maior. Nesse sentido, um processo de Orientação Profissional que facilite uma escolha consciente e bem formulada consiste em um primeiro passo à realização profissional. É, portanto, um instrumento que atua no sentido de programação da saúde humana, agindo profilaticamente.

Podemos considerar a existência humana nos níveis de “macro” e “micro”. Historicamente, temos observado, no primeiro nível, uma contínua  complexificação de relatos sociais e trabalhistas, em função dos avanços científicos e tecnológicos incorporados ao cotidiano. Esse movimento maior reflete-se e interage com o nível “micro” do indivíduo em seu cotidiano. A interação entre esses dois níveis se dá de forma dialética, pois implica influências mútuas.

Atualmente, com a globalização da economia, há exigências crescentes no mundo profissional, frente às quais são necessárias posturas flexíveis que respondam às demandas do mercado de trabalho. O ritmo das mudanças pede ao indivíduo uma postura ativa, de participante da realidade, capaz de se posicionar e de exercer escolhas constantemente.

Dessa forma, parece não serem úteis processos de Orientação Profissional que reforcem uma postura passiva do sujeito e que partam do pressuposto de que este não tem capacidade de auferir conhecimento sobre si mesmo e sobre suas possibilidades, necessitando, portanto, de uma resposta pronta por parte do Orientador Profissional. Processos de Orientação Profissional baseados exclusivamente em resultados de testes psicológicos, que consagraram a prática de orientação como escolha profissional em seus primórdios, aparecem frente às exigências do mundo moderno como práticas ultrapassadas.

Apesar da descontextualizarão desse tipo de prática, muitos profissionais ainda a utilizam e sua aceitação, por parte das instituições escolares e do próprio público, é grande, uma vez que tais instrumentos são como um talismã, capaz de fornecer respostas rápidas, sem exigência de esforço e de envolvimento pessoal maior às dúvidas apresentadas pelas pessoas que procuram a Orientação Profissional.

Um processo de Orientação Profissional adaptado a esta nova realidade – não se prenda apenas a resultados de testes e à busca de informações profissionais, mas que vise à tomada do momento de escolha enquanto um processo de aprendizado a ser levado para outros momentos de escolha  - tem muito a contribuir na formação de pessoas capazes de estarem constantemente se adaptando a mudanças e de posicionarem-se frente à realidade que se apresenta.

Tendo em vista a necessidade de reconhecimento de si com o sujeito de escolha – posição ideal de um ser humano adulto – em nosso trabalho, oferecemos oportunidades para que os participantes saibam qual a sua posição atual, adquiram clareza e venham a assumir a posição de sujeito. E, ainda, para se tornarem aptos a perceber as possibilidades que a sociedade na qual estão inseridos lhes oferecem quanto à escolha profissional.

Visamos a que aprendam a buscar informações que lhes faltam no conhecimento de si e do meio social, chegando a escolhas profissionais conscientes, tornadas realidade por caminhos viáveis.

Outro aspecto relevante é que nenhuma escolha é final ou definitiva: mesmo em um campo profissional específico, situações novas se apresentarão diariamente, exigindo posicionamento, escolha e ação.

A Orientação Profissional, além de oferecer condições para a busca de informações sobre carreiras profissionais, tem um papel relevante enquanto espaço para auto-conhecimento, apoio e busca de posicionamento crítico do sujeito frente ao processo de ingresso no mundo profissional, facilitando ainda a troca de experiências entre os envolvidos.        

 

 

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