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ARTIGOS

A INSERÇÃO DO PROFISSIONAL FORMADO NO MERCADO DE TRABALHO

texto desenvolvido para o Editorias da TV UNIFEV

A INSERÇÃO DO PROFISSIONAL FORMADO NO MERCADO DE TRABALHO*

 

 

Prof. M.Sc. Fernando Kleber Ribeiro Antunes

                                                      Coordenador do Curso de Geografia da UNIFEV

 

 

Há pouco mais de uma década era mais ou menos assim: o jovem recebia da faculdade o conhecimento teórico específico para exercer sua profissão, sonhava em conseguir emprego em uma grande empresa onde pudesse fazer carreira e, se possível, passar toda a vida profissional por lá até se aposentar. Foi-se o tempo. O perfil de trabalhador procurado pelo mercado mudou e, com isso, o que um jovem espera de uma faculdade e de sua futura carreira também.

No lugar de conhecimento técnico específico, o estudante busca formação mais ampla, voltada para trabalhar em grupo e com visão geral do mercado. Em vez de estabilidade, quer mobilidade - de cargo e de empresas. Para conseguir isso, procura instituições que ofereçam uma vivência da prática, sem descuidar da teoria, e que tenham uma boa imagem, tanto nas avaliações feitas pelo governo quanto na percepção do mercado.

E correr atrás não significa se fixar em uma vaga e fazer de tudo para conseguir aquele posto. Estudar cada vez mais e se aprimorar é o que garante empregabilidade. Hoje em dia, não tem mais essa história de estudar um certo número de anos e parar. Não se pode mais parar de estudar, é preciso buscar especializações, cursos de idiomas, já que é uma necessidade do mercado globalizado.  O novo profissional precisa ter diversas habilidades, eu diria até inúmeras. Precisa estar complementando sua formação o tempo todo.

Dentro das universidades, apesar de o conhecimento teórico ter perdido um pouco de espaço para habilidades pessoais, como capacidade de trabalhar em grupo e de liderança, ele não deixou de ser importante. O conhecimento acadêmico acaba pesando. Ter uma pós-graduação, um MBA, é sempre um referencial importante para a empresa.

Antes, uma vez inserido no mercado, o funcionário se sujeitava a fazer tudo o que o chefe mandava, até o que não sabia, para permanecer no emprego. Hoje, o profissional tem uma série de competências e as coloca à disposição da empresa. Se outra paga mais, ele vai embora. Há, no mercado, uma luta acirrada pelo que chamam de retenção de talentos. É o grande tema das empresas hoje em dia: o que fazer para que seus bons funcionários não queiram ir embora.

O mercado busca pessoas com iniciativa. Antigamente se focava a estabilidade, mas o mercado se tornou mais dinâmico. A empresa desenhava para o jovem seu desenvolvimento, o que ele deveria buscar. Hoje não. O jovem passou a ser o dono de sua própria carreira, de seu sucesso. Quem desenha a carreira é ele e não mais a empresa. E ele tem de correr atrás do que quer.

Para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho, inclusive as instituições públicas precisam reformular suas concepções de ensino para formar alunos aptos a atuar nesta nova realidade profissional. O que deve ser considerado essencial num bom curso são itens na formação do aluno irão garantir sua empregabilidade. O vertiginoso processo de mudança e divulgação do saber, em um espaço ampliado imposto pela globalização e pela revolução nas comunicações, impõe o desenvolvimento de aptidões novas, que permitam novas formas de ver, compreender e acompanhar o que se coloca no mundo.

Isto implica, pelo menos, duas novas concepções com relação à educação. Em primeiro lugar, o entendimento de que a formação é um processo continuado e não uma terminalidade que se esgota no término do curso. Em segundo lugar, a compreen­são de que não basta uma formação técnico-profissional de qualidade, mas uma educação geral que posicione o profissional como cidadão do mundo. Isso exige do docente uma nova postura diante do que se convencionou chamar de conteúdo. A sala de aula, que inclusive pode ser virtual, passou a ser um espaço de confrontos, de interação, de troca de saberes, de diálogo, exigindo dos envolvidos no processo um movimento dialético e permanente de ensinar enquanto aprende e de aprender enquanto ensina.

Atualmente, não basta mais conhecer profundamente um assunto. É preciso ter uma visão global, estar por dentro de temas correlatos. A instituição de ensino precisa estar atenta não apenas à formação vertical, que aprofunda o conhecimento sobre um tema, mas também à horizontal.

Está constatado que o mercado procura habilidades mais comportamentais. E como fica o embasamento teórico neste novo quadro? Na experiência a teoria ajuda - e muito. Muitas pessoas formadas que dizem por aí que o ensino vai dar apenas 10% do que se usa na vida prática. Não concordo. A teoria abre um leque de opções, é muito importante no dia-a-dia.

Outro item destacado pelos entrevistados da pesquisa e com mudanças recentes é o relacionado à imagem das instituições. O curso ser bem conceituado pelo Ministério da Educação é considerado como sendo de total importância por 76% dos profissionais, segundo pesquisa realizada pelo INEP. E a escola ser conhecida pelo mercado, por 64%. O MEC tem grande credibilidade hoje em dia. Essa foi uma mudança apontada pela pesquisa, não era assim tão importante em 2001, por exemplo. Bateu o reconhecimento pelo mercado.

Apesar de a imagem das instituições estar em alta na cotação dos jovens profissionais, as instituições costumam ter um marketing muito tímido nessa área. Elas não fazem campanhas de imagem. Fazem apenas para divulgar cursos e vestibulares, e se esquecem da imagem que é um dos pontos mais valorizados. Atualmente, não há mais discernimento entre instituições públicas e privadas, mas há preferência no mercado pelas com melhor conceito de qualidade.

E é por isso, em respeito ao jovem estudante, ao cidadão e em função da necessidade do mercado de trabalho, que a UNIFEV – Centro Universitário de Votuporanga se preocupa em oferecer ensino de qualidade, valorizando as habilidades e competências de cada indivíduo, visando realmente cumprir o seu papel de Instituição responsável e consciente no processo de desenvolvimento humano.

 

 

 

*Material desenvolvido no Programa Editorias da TV UNIFEV no dia 24/06/2009.

 

 

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